Quinta-feira, Março 29, 2007

Lançamento do tema: Preconceito


Desafio: Preconceito
Desafiante: Mariana Lied

"Época triste a nossa, mais fácil quebrar um átomo do que o preconceito!" - Albert Einstein -

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Reativando os trabalhos do nosso grupo-literário lanço o tema Preconceito. Creio que essa citação do Einstein ilustra bem esse tema, que infelizmente é bem amplo e atual. Além do preconceito racial, existem inúmeros tipos de preconceitos na nossa sociedade e no mundo. Subliminares ou não, não podemos negar a sua existência. É triste saber que ainda existe tanto preconceito entre as pessoas. Mais triste do que isso é querer negar a sua existência...
Boa criação!
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Tema da Semana: Preconceito
Data de Lançamento: 30/03
Data Final de Entrega: 20/04 (prorrogado)
Avaliação dos Trabalhos: 27/04 (prorrogado)

Domingo, Março 04, 2007

Perdoe-me por "me" trair

Perdoe-me por "me" trair. Eu juro que não faço mais. Mas confesso que por vezes me sinto insegura...
Não, não é culpa. Essa palavra não existe para mim. Por vezes me sinto como uma psicopata. sim, porque eu compreendo a realidade, e até penso na "imoralidade" da questão. Mas continuo comentendo o meu crime semanal, com frieza e cálculo matemático.
Eu deixo todas as pistas do meu desvio de personalidade. Mas diz o ditado que todo o corno é curioso. E a pessoa em questão não é. Por isso a minha motivação não é o trair, o passar prá trás, o enganar. Eu traio porque eu quero trair. Não me faz bem nem mal, não me faz bem, não me faz nada.
Perdoe-me por "me" trair. As vezes acho que devo parar, que isso de ter uma vida paralela não está sendo tão saudável para mim como eu imagino. O que é certo? Trair o outro ou trair a mim mesma?
É por isso que te peço, antes de tudo que me perdoe... porque eu não consigo me perdoar pela dúvida. E uma traidora crônica como eu precisa pelo menos de um pouco de perdão.
Ane

Boca perdida, um beijo envenenado em um lábio doce. Opalhaço cortou o dedo para aprender o que era humornegro!Fez isso, por que um dia, teve que encarar umsegredo!Descobriu que a mulher do seu amigo eraadúltera. O "amigo" tinha um rosto refinado até mesmoengraçado. O palhaço o encontrava sempre pela manhã emfrente ao espelho. O sorriso treinado não abandonouaquele rosto que preciva vender felicidade, mesmoquando estava triste. Mas lembrou do que viu numatarde da sábado ao chegar mais cedo, era forte demais.O patrão viu uma lágrima cair e o despediu. Ele foi para casa contar a maior das piadas! Mas nãoprecisou se dar ao trabalho. O corpo inerte daadúltera em cima da cama revelava a tragédia. Nopeito, um bilhete, Meu traidor fez juz a sua natureza...Viu um frasco com veneno de rato, passou o dedo noslábios da adúltera e sentiu o cheiro da morte. Boca perdida, um beijo envenenado em um lábio doce.Foi assim que ele se despediu dela, e da vida.
Cássio

Cidade Perdida



Eulália, Amélia e Rosália cresceram juntas em uma pacata cidade escondida entre os vales da Serra Gaúcha. Para chegar até lá somente de carro ou de carona em algum caminhão de carga, não existia sequer um ônibus com destino a linda cidadezinha que nem aparecia no mapa. As poucas estradas que ligavam a pequena cidade com o mundo moderno eram de terra e ficavam intransitáveis quando a chuva era abundante. As poucas pessoas que, por obra do destino, conheceram aquela quase-secreta cidadezinha nunca entenderam como era possível haver eletricidade naquele local tão escondido e oculto entre os vales serranos. Aliás, o que elas menos entendiam é como aquele vilarejo fora classificado como ‘cidade’.

As três amigas tinham praticamente a mesma idade, com diferença de poucos meses. Desde pequenas elas mantinham um forte laço de amizade e se consideraram como irmãs. Mesmo depois de adultas, com suas responsabilidades e compromissos, elas conseguiam manter contato e sempre davam um jeito de se encontrar para colocar o assunto em dia. Cada qual tinha uma personalidade bem peculiar e todas possuíam um olhar profundo e instigante. Rosália era considerada atéia e incrédula, Amélia a rebelde e independente, Eulália a mais romântica e idealizadora de todas.

Os pais de Rosália eram católicos tão devotos que conseguiam ser mais devotos e dedicados que o próprio Padre da única paróquia existente. Inclusive, alguns habitantes da cidade-vilarejo especulavam que eles poderiam ser até mais devotos do que o próprio Jesus encarnado. Sabe-se que o dito casal, que transpirava a bíblia sagrada, criou sua única filha com uma educação rígida e, logicamente, religiosa. Queriam que ela se tornasse freira e não pouparam esforços para isso. Escolheram seu nome ao imaginarem-na adulta, usando o manto das virgens e pregando as palavras divinas. Tanto empenho transformou Rosália em uma pessoa atéia e cética. Não se tornou incrédula, entretanto, somente em relação à religiosidade, mas também a tudo que ela não pudesse visualizar materialmente. Esquivava-se de tudo que era abstrato, inclusive do amor. Ela tinha medo de amar, tinha medo do desconhecido, tinha medo de ter um cônjuge que quisesse coordenar a sua vida como seus pais tentaram. Apesar de seus receios, ficou noiva de Jorge Luiz, filho do dono da ferragem, durante seis anos. Até descobrir que ele a traía com madame Mercedes, a cartomante. Desiludiu-se. Passou a definir o amor como um sentimento fruto de uma alucinação subliminar criada pela mente humana, inconscientemente, para suprir a ânsia... aquela ânsia, de amar um ser do sexo oposto (crescer-vos e multiplicar-vos).

Amélia teve uma criação oposta, bem liberal e transparente. Seus pais eram Hippies e desencanados, costumavam conversar abertamente com os nove filhos sobre qualquer assunto, incluindo amor e sexo. Incentivavam cada um dos filhos a lutarem pelos seus sonhos e os apoiavam no que era necessário. Nos tempos de colégio Amélia sofreu muito com as piadas que faziam em relação ao seu nome. Era capaz de bater em qualquer pessoa, independente do tamanho e idade, que lhe dissesse: “Amélia é mulher do lar, criada para casar e servir o marido”. Ela sonhava com uma brilhante carreira de médica cirurgiã, que a levasse para bem longe daquele vale esquecido. Não pensava em casar e ter filhos, a vida a dois lhe dava certa repulsa. No fundo ela não queria correr o risco de ser tratada como uma simples dona-de-casa, assim como as ditas Amélias, Preocupava-se em iniciar sua tese de doutorado em algum lugar longe daquele horizonte. Teve poucas paixões na vida, nenhuma delas foi avassaladora. Não conseguia ser fiel a nenhum namorado, rolo, caso... não queria nenhum comprometimento, nenhum vínculo, nada, nada de sentimentalismos antes de conseguir terminar seus estudos.

Eulália era a mais romântica das três e foi a primeira e única a se casar. Quando pequena acreditava em todos os possíveis e inimagináveis contos de fadas. Era apaixonada por histórias mágicas, fantásticas e perfeitas. Sua mãe faleceu durante uma complicação no parto e seu pai era caminhoneiro, passava a maioria do tempo nas estradas. Eulália não possuía irmãos nem parentes próximos. Passou grande parte de sua existência sentindo-se uma órfã perdida em um imenso lar, vazio, sem família, só tinha a companhia de uma madrinha com Alzheimer. Idealizadora, queria acreditar em um mundo onde houvesse mais encanto e mais afeto entre todos. Fugia das pessoas que lhe transmitissem a mesma frieza de seu pai. Talvez seja por esta razão que depois de adulta ainda sonhasse em encontrar o seu príncipe encantado, aquele que lhe seria predestinado. Casou-se com Adalberto, o filho do dono do supermercado, cuja família era rica e bem conceituada na tal cidadezinha. Ele parecia ser o marido que Eulália sempre sonhou: era bonito, atencioso, romântico, charmoso, educado e a travava como uma rainha. Telefonava do trabalho todos os dias para saber como ela estava, dizia que a amava muito e sempre avisava quando iria chegar mais tarde em casa devido a alguma reunião importante.

- Ele é perfeito demais, aí tem! – alertava Amélia, que desconfiava das constantes e inadiáveis reuniões que Adalberto dizia participar.
- Que nada amiga, ele trabalha muito para poder me dar essa vida de rainha. Se ele não me amasse não iria me trazer flores todos os dias, não me telefonaria – justificava Eulália.

Rosália ficava muda toda vez que este assunto vinha à tona, temia magoar a amiga. Amélia, ao contrário, tentava alertar Eulália de que seu príncipe encantado não passava de um mulherengo irremediável. Quase todos naquela cidade de dois bairros sabiam que as reuniões inadiáveis ocorriam em um discreto casebre, de luz avermelhada, localizado fora da cidade-vilarejo, pouco depois do cemitério. Há quem diga que ele mantinha relações constantes com uma China Blue do discreto casebre. Com o passar dos anos Amélia desistiu de tentar alertar Eulália, que era a única que não enxergava as traições do marido. Talvez não quisesse enxergar, ninguém sabe ao certo. O fato é que Rosália e Amélia abandonaram a linda cidadezinha onde nada acontece. Prometeram a Eulália que manteriam contato através de cartas e decidiram tentar a vida na cidade grande. Quem sabe lá poderiam mudar de postura em relação ao amor... Passaram a noite inteira dirigindo e divagando a respeito da traição. Será que a fidelidade virou um mito moderno?
Mariana Lied

Ressaca

Acordou, pois as incessantes batidas rítmicas na sua cabeça já não deixavam-na mais dormir. Ao levantar-se, percebeu que os sintomas da ressaca física começavam a se misturar aos da ressaca moral e ambas impediam-na de encarar-se no espelho. Viu de relance que a maquiagem escorria pelos cantos dos olhos e as olheiras estavam ainda mais acentuadas que o normal e preferiu não conferir de perto os efeitos dos exageros da noite anterior. Mas, por mais que se esforçasse, tudo o que conseguia recuperar sobre os acontecimentos eram flashs desconexos, incongruentes, impossíveis de serem unidos em uma só história com começo, meio e fim. Lavou o rosto demoradamente, como se limpando a pele fosse possível também purgar a mente do esquecimento repentino que lhe acometera. Em vão. A amnésia alcoólica não permitia que os reais fatos da festa regada a uísque escocês que reuniu os funcionários da empresa no resort viessem à tona. Mas mesmo que as lembranças do que ocorrera horas antes naquele quarto de hotel não fossem suficientemente claras, o remorso e a compunção tomaram conta de seus pensamentos. Seu temor era que tudo aquilo que sempre evitou nos momentos de sobriedade pudesse ter acontecido quando as travas da consciência foram atenuadas pelo excesso de álcool. Já não sabia mais o que podia realmente ser realidade e o que era fruto de sua úbere imaginação, capaz de criar tramas dignas dos mais impuros contos de Nelson Rodrigues. Afinal, não era de hoje que seu corpo voluptuoso e seu rosto delicado eram alvos de constantes elogios por parte de colegas de trabalho. Sisuda, nunca havia se rendido a essas cantadas, mas para si mesma ousava admitir que sim, muitas vezes teve vontade de ceder. Realidade, imaginação, fantasia ou desejo (in)consciente? Finalmente deu uma trégua aos seus pensamentos e voltou a dormir.
Carol

A persistência do mal hálito

Abriu a porta de sua F1000 e sentou-se. Sua respiração estava ofegante. O sol de verão tinha deixado seu carro e seu corpo tão quentes quanto suas idéias. Abriu todos os vidros e apoiou seus cotovelos na direção e sua cabeça ficou apoiada entre suas mãos. Pensou nela. Ela era a única que não estava envolvida nesta sujeira toda. Lembrou da primeira vez que tirou sua roupa... Ela ficou com um jeito de menina, mas em pouco tempo tornara-se uma mulher fugaz. Nunca tinha sido sua namorada, mas era ela quem deveria ter sido a mãe dos filhos dele. Sorriu... Pensou que com todo o tumulto do dia, essa fora a primeira vez, desde o acordar, que colocara um sorriso no rosto. Este dia estava pesado, parecia quase infindável, mas no fundo, sentiu um alívio, esperara por este terremoto há meses. De súbito, ele procura seus óculos de sol no porta-luvas, os colocou e deu partida em sua camionete. Ele gostaria mesmo era de fugir dos seus pensamentos, mas resolveu que fugir daquela casa da praia já lhe seria o bastante no momento. Acelerou, pegou o asfalto e foi remontando todos os acontecimentos de uma história que agora chegara ao fim. Na verdade parecia o fim, mas só ele sabia que a história terminaria de outra forma se ele quisesse. E ele queria! Sentiu um mau hálito tomando conta de sua boca. Como flashes, o sorriso dela lhe parecia confortar todo o mal-estar. Ela não tinha nada a ver com tudo isso. Ela era santa, era pura, imaculada. Ele não, ele era um pecador. Pior que isso ainda, ele era um traidor. Era um traidor em todos os sentidos, mas pior que isso ainda, ele também era o traído. Começou a chorar. Não sabia mais se acreditava em Deus, mas entre lágrimas começou a rezar. Implorava por perdão. Como conseguiria viver sabendo que tinha traído seu patrão, seu sogro, sua namorada, sua filha e como se isso ainda não bastasse, ele também havia traído seu próprio amor e o amor Dela. Ela que deveria ter sido a mãe dos filhos dele... Sentia-se sujo e acelerava mais. Seus pensamentos pareciam obedecer ao comando físico e também aceleravam mais... O mau hálito lhe incomodava. Procurou um halls no cinzeiro do painel e encontrou um bilhete de sua namorada:
Amor,
Apesar de tanto trabalho, papai me prometeu que hoje você voltaria para a praia...
Mamãe e eu vamos fazer teu mousse predileto.
Estou ansiosa para te ver e me jogar em seus braços.
Da sua eterna,

P...
O carro parecia flutuar na estrada. Ele chorou. Poderia acelerar de encontro com a primeira árvore na estrada e assim acabaria com o sofrimento de todos... Como ele pôde ser tão sujo? Lembrou do rosto de sua namorada, que neste momento era oficialmente sua ex. Ela era ingênua... Amassou o bilhete e jogou pela janela. Além de ingênua, ela era passiva e cega pelo visto. Estava diretamente envolvida, mas também não fazia parte da sujeira toda. Diferentemente da moça do belo sorriso, que não estava envolvida de forma alguma, ela continuava limpa. Ele traiu sua namorada e agora ela sabia de tudo. Sabia de tudo de uma das piores maneiras possíveis. Um belo dia de verão ela encontrou uma fita VHS. Sem maldade, intriga ou pretensão alguma colocou esta fita no vídeo cassette. Segundos depois, imagens apareceram na gigantesca tela de televisão: seu lindo namorado comia selvagemente sua adorada mamãe de quatro. Ele a chamava ardentemente de vagabunda e ainda dava uns bons tapas na cara dela. Por alguns instantes seus pensamentos foram direcionados a encontrar uma terminologia mais branda do que "comer selvagemente sua mãe de quatro", mas sua tentativa foi frustrada e ele começou a sentir seu braço esquerdo formigar. Ele era tão sujo que tinha comido sua sogra, havia traído o emprego que o levara a essa trama toda e era a única coisa sólida que tinha na vida, traiu seu patrão que também era seu sogro, nunca teria dignidade para ensinar moral alguma à sua filha de dois anos, havia sido traído por ele mesmo, pela vontade de ser rico fácil e rapidamente, havia sido traído profissionalmente, pessoalmente e até mesmo seu sogro havia lhe traído! Sim, porque ele havia enxergado tudo, nada dessa lama era novidade ou surpresa para ele, mas ele resolveu deixar o barco correr, resolveu não se intrometer para ver até aonde iria a brincadeira. "Brincadeira...", balbuciou em voz baixa. Seu mau hálito não lhe deixava enganar que esses devaneios eram sérios e que eram realidade. Freou a camionete. Seu braço adormeceu por completo. Parou no acostamento, abriu a porta, saiu do carro desesperadamente e entre soluços começou a vomitar. Caiu de joelhos. Suas pernas não tinham força para lhe sustentar. Começou a rezar. Nunca se sentira tão só. Soluçou, gritou, chorou, implorou, se odiou e de súbito resolveu calar-se, silenciar-se. Para a pura, ele poderia escrever uma carta contando tudo, explicando todos os detalhes dos pecados que ele tinha cometido. Suas razões. Sim, porque ele tinha razões, ele não era só um cafajeste sem causa. Um traidor pelo prazer sádico de trair. Com certeza ela iria entender... Uma esperança lhe tomou o coração. Ela iria entender!!! Ao fechar os olhos ele viu o rosto dela direitinho. O sorriso era fugaz, o olhar maroto, o cabelo sedoso, a pele cheirosa. Por um momento ou dois ele pôde tocá-la. Ah, se ao menos ela pudesse estar perto dele, ela iria entender e ele não se sentiria tão só. Mas ela estava longe... Onde ela estaria? Os carros passavam como cometas pela estrada. Como num susto ele se jogou para trás e sentou-se no acostamento. Não conseguia mais chorar, nem sustentar seu próprio corpo, tampouco sentir qualquer tipo de esperança. Sua expressão era apática, o mau hálito ainda se fazia presente, o coração parecia não pulsar. Outro carro passa. Suspirou. Apoiou a cabeça entre as mãos e sentiu ódio dele mesmo. Talvez se acelerasse contra a primeira árvore tudo ficaria mais fácil... Lembrou que havia prometido uma reforma na velha casa de sua mãe. Como que de rompante soltou uma gargalhada: "não haveria mais reforma na casa de sua mãe!" Aliás, ela também havia lhe traído. Sentiu ódio, raiva, frio. Sua mãe o estimulava a ser o indigno de respeito que ele era, e ainda lhe dizia que agora seu filho estava tomando rumo na vida. Rumo na vida ou na morte? Indagou... E ainda sempre falava da tal reforma da casa velha: "Agora meu filhinho querido pode pagar a reforma da casa." Ela não almejava uma casa nova, não, ela só pensava na reforma da casa velha. Vamos demolir aquela casa! Outro suspiro saiu do coração na tentativa frustrada de buscar algum tipo de alívio. Seu braço não estava mais dormente, mas o mau hálito era persistente. O calor inebriava seus pensamentos. Tirou a camiseta suja tanto de suor quanto que um pouco de vômito e enxugou sua testa, seu peito. Resolveu partir. Talvez escrever uma carta. Uma não, poderia escrever duas ou três. Poderia usar o pretexto da carta para explicar-se ou para talvez diminuir as dores causadas. Se ela pudesse estar ali, ela entenderia... Fechou a porta. Deu partida. Suspirou. Silenciou... Sentiu o mau hálito. Se ao menos pudesse encontrar uma árvore...
Vivi Cardoso
23/02/2007

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Lançando o tema: Traição

Desafio: Traição
Desafiante: Cássio Peres

Tema da semana: Traição
Data de Lançamento:9/fev/07
Data final da entrega: 23/fev/07
Avaliação dos trabalhos: 2/mar/07

(sem título)

As paredes do quarto estavam mais escuras do que ohabitual. A umidade em contato com as roupas de cama,poluiam o ar com um odor fétido de mofo. Tudo naquelelugar parecia sujo,podre, sem vida. Eduardo não queriaacreditar que o rosto em frente ao espelho, era seu.Estava com olheiras profundas,os lábios tinha uma corarrocheada que lembrava um defunto "fresco".Os dentesescuros davam o toque final na aparência mostruosa.Asmãos enrugadas já apresentavam feridas purulentas queajudavam a tornar o cheiro ao redor,insuportável. Elesabia por que estava daquele jeito mas não conseguiasair de casa há dois meses, desde que Catarina odeixou.Amar não era o seu forte, no entanto cortejar era oseu passatempo. Advogado famoso e intempestivo dapequena cidade de Pirapora do Leste, não sentia-serogado em enfrentar qualquer coronel ditador. Dizia-seque não tinha medo de nada, e todos que haviaenfrentado,encontraram um inimigo valente,honroso ebom de briga. No entanto, todos sabiam que o seu fracoera outro,as mulheres.Era uma tarde de domingo, quente e poerenta, os homensda pequena cidade matavam o tempo jogando truco etomando generosas doses de aguardente. Eduardo estavadeitado na rede e tentava curar a ressaca da festançado dia anterior. Sua casa ficava em frente ao ponto dechegada do ônibus do município. Foi de lá que viuCatarina chegar,ela vinha do município vizinho de Riochapé,lugar sem vida, com pouco mais de cem pessoasque se mantinham através do plantio da cana.A menina de vestido de chita com cabelos soltos,castanhos,escorridos pelos ombros tinha pelebronzeada, testemunha de muitas horas no sol cortandocana e imensos olhos verdes. Ela estava carregando umpequeno saco usado para carregar farinha e que foicosturado cuidadosamente pela sua avó Noesi das Dores.Ao dar o primeiro passo na nova cidade, mostrava ar deinocência e confusão.Eduardo não conseguiu esconder aeuforia e pulou da rede para ganhar a rua e chegar apassos largos até a parada do ônibus.Dois anos de relacionamento já eram suficientes parainiciar o inferno. A bebida havia entrado na vida deEduardo de forma tão forte quanto o amor por Catarina.No entanto,as grandes doses de cachaça durante o diahaviam tornado Eduardo um homem obeso,irritadiço eviolento. Catarina já havia esquecido daquele bonitocavaleiro, amoroso, carinhoso e romântico que uma vezlhe prometera amor e proteção. Cansada de tantaviolência, Catarina resolveu abandonar Eduardo numadas tantas noites de embriaguês. Mas antes de deixaro casarão deixou um bilhete:Deixaste de me amar,te deixo para sempre.Eduardo acordou de sobressalto,sentiu que algoocorrera, caminhou usando a pouca força que tinha atéa cozinha do casarão e encontrou o bilhete quesentenciou o destino da sua vida dali para frente.Depois da triste notícia, foi até a dispensa, encheu ocopo com uma grande dose de aguardente e misturou comveneno para ratos. A partir desse dia, Eduardo nuncamais deixou a casa. Já fazia dois meses que Catarinafora embora e ele continuava "preso" no quarto...
Cássio Peres

Sábado, Fevereiro 10, 2007

O Amanhecer

Os primeiros feixes de luz do sol começam a invadir o quarto através de uma cortina marfim, anunciando o início de mais um dia. O vidro da janela estava aberto até a metade, permitindo que uma suave brisa de ar fresco penetrasse no quarto levemente bagunçado. No chão haviam peças de roupas jogadas displicentemente. Sob a cabeceira da cama algumas velas apagadas entre pétalas de rosas. Conforme aumentava a intensidade da luz do dia, o quarto adquiria uma tonalidade dourada. Na cama, dois corpos nus entrelaçados dormem em sono profundo.
Tudo aconteceu muito rapidamente: o primeiro olhar, aquele arrepio na espinha, troca de sorrisos tímidos, a aproximação, a conversa, o primeiro beijo, a sintonia e a vontade de conhecer aquela pessoa melhor. Amanda teve a sensação de que já conhecia aquele belo rapaz, embora nunca tivesse visto ele antes. O rapaz disse sentir o mesmo. A atmosfera entre eles parecia caracterizar um encontro de almas agendado pelos astros.
Amanda é uma mulher independente, geralmente não se preocupa com as convenções impostas pela sociedade. Deixou-se levar pelo desejo sem culpas. Levou o belo rapaz até a sua casa onde tiveram uma exaustiva noite de amor. Apesar do entusiasmo, Amanda tem sonhos inquietantes durante o sono profundo. Sonhos que a conduziram em uma espécie de túnel do tempo, onde ela pôde reviver rapidamente todos os seus enlaces amorosos: desde a primeira paixão na pré-escola até o seu último namorado.
Ela percebe o quanto aprendeu em cada relacionamento, correspondido ou não, até tornar-se a Amanda da atualidade. Da mesma forma, seus medos e dúvidas em relação ao amor pareciam desafiá-la. Ao relembrar dos tropeços e das ciladas amorosas, o sonho quase se transforma em pesadelo. Ela se dá conta de que o amor além de ter o poder de transformar as pessoas, também pode cegá-las. Inclusive, ela enganou-se muitas vezes em relação aos seus namorados. Tantas coisas que ela não enxergou por estar inebriada de amor... Quantas vezes se viu mergulhada no sofrimento por causa disso... Será que pode existir um amor lúcido? Será que vale a pena arriscar mais uma vez? E se eu me enganar de novo? Vou conseguir lidar com o sofrimento outra vez?
O mar de dúvidas parecia aumentar durante o seu sono, tirando-lhe a paz. Contudo, o sol que entrava pela janela iluminando o seu rosto também iluminou o seu sono. As nuvens negras de pesadelo que se aproximavam começaram a se dissipar. Ela se recorda do belo rapaz que conheceu na última noite e da sintonia maravilhosa que houve entre eles desde o primeiro olhar. Fazia tempo que ela não sentia isso com alguém. Mesmo com todos os riscos, ela não iria perder a oportunidade de viver outro grande amor. Amanda sabe que a vida sem amor não vale a pena. A vontade de tentar outra vez é maior do que qualquer medo ou trauma. Ela sente-se encorajada a seguir em frente.
Passam algumas horas, os dois acordam. Ele enche ela de beijos e a abraça forte, ela retribui. Ele olha no fundo de sua íris e diz: quero te fazer feliz!
Mariana Lied

Conto de Amor Para o Fim de Ano

Acendeu um cigarro, ligou a cafeteira e o computador ao mesmo tempo. Abriu emails, olhou o saldo no banco, leu scraps, respondeu coisas por educação, adicionou pessoas por conveniência. Alguns começaram a aparecer para conversar e perguntar e aí? como vai? E ela respondeu tudo bem, quando tudo estava uma merda. Sufocada pelas pressões em ser...ter... saber...Quando na verdade precisava de tão pouco para se sentir feliz. Ser feliz era muito até...queria apenas se sentir segura. Deletou aquele cara que lhe fazia apenas companhia de vezenquando. Ignore o usuário. Agora só iria buscar companheiros, não companhias. Iria sair para jantar sozinha, iria para casamentos sozinha, iria fazer até sexo sozinha. E ai de quem a olhasse como uma perdedora, que não consegue nem arrumar alguém. Mas na verdade ninguém olharia, só ela...e na verdade era perdedora mesmo. Perdeu-se no meio de uma rede de estratégias que armou há muito tempo atrás. Não entendia nada sobre a arte da guerra, aliás estava perdendo a guerra que travava dentro dela mesma. Algo nela pulava e se debatia, podia até sentir socos nas têmporas, tamanha violência que aquilo fazia para poder sair. Enquanto andava do quarto para a cozinha, poderia sentir aquilo rasgando a sua pele como um bisturi afiado. Ela era o seu próprio tumor. Acabou de receber um email de Boas Festas. Odiava essa época do ano. As pessoas são obrigadas as estarem magras e bronzeadas, abraçando outras que passaram o ano todo se odiando, enviando cartões para parentes que estão esquecidos em fotos no armário, comprando, bebendo, comendo. Sendo feliz com dia marcado, aturando pieguices sem fim, como se os pobres só tivessem fome no Natal, como se as pessoas só fossem importantes no Natal, como se só merecessem ser presenteadas no Natal. Ela não era Feliz e não seria no Natal. Não lembrava da última vez em que fora feliz. Quem sabe aquela vez em que andava na rua em meio ao temporal, com uma sombrinha quebradas, às 6 da tarde, quando recebeu aquele telefonema. Ele ligou rapidinho, um telefonema tão sigelinho, tão queridinho, que levou a uma explosão de endorfinas, que fez ela esquecer a chuva, molhou o cabelo recém chapado, molhou a bolsa que ela pagou caro, molhou e lavou a alma. Depois... foi como se tivesse usado uma droga. Ela queria mais, queria que ele ligasse de novo. Mas ela também não ligou e nem ele, e ficou tudo assim. Ela pensou em mandar um email dizendo toda a verdade. Mas na verdade, essa era uma verdade que ela tinha muito medo e, que na verdade, ela queria pensar que era uma mentira. Sim, ela gostava dele, mas sabia muito bem e a duras penas que gostar não era o bastante. Amar, então, nem pensar. Não conseguia nem se amar, como iria amar alguém. Por isso ela não queira amar, nem gostar, nem desejar nem nada. Só companhia. Queria alguém que lhe despertasse com um beijo de café. Alguém para quem pudesse ligar no meio da tarde, para contar que teve o seu projeto aprovado. Alguém que lhe desse colo no fim do dia. Alguém para olhar o teto, vendo o ventilador girar. Alguém para massagear as costas e o ego. Alguém para fazer sexo sem limites. Alguém para dividir o cotidiano. Alguém para saber desse alguém. Por que o que dói quando se gosta de quem não gosta da mesma maneira e, por isso se afasta, é o não saber. Não saber se dormiu bem, se pegou os exames, se foi ver o jogo do Inter, se está pensando nela. A empregada entra na sala e pergunta se é para fazer o almoço. Não, não é. Ela vai pedir alguma coisa pela tele-entrega. Emagreceu dois quilos, até a empregada reparou. Daqui a pouco ela ouve um barulho de vidro quebrado. A empregada quebrou outro copo. Ela tinha vontade de quebrar a casa toda. Acende outro cigarro. Recebe telefonemas. Ir para Porto Alegre urgente, apagar um incêndio no trabalho urgente, confirmar presença urgente. Mas o que é realmente mais urgente fica para depois. Precisa urgentemente de companhia, mas vai comer primeiro. Quem sabe passar a tarde no cabaleireiro, folhando revistas de fofocas cercada de palavras como botox, silicone, e piastra japonesa. Mundo de plástico. Tem vontade de se enquadar no meio. De fazer parte do círculo. Ela pensa em entrar na academia, passear num parque com o cachorro, e atender solicitamente o chamado de algum cafa que nada vai acrescentar a sua vida, apenas para poder dizer para as amigas que tem alguém. Louca, louca, louca. Pensa em telefonar para ele para sentir novamente aquela coisa...Mas ela não vai ligar. É véspera de Natal e ela vai ignorar todos os convites para ceia. Não quer ser uma péssima companhia. Ela quer apenas um companheiro. Para poder abraçar desesperadamente quando tudo dá errado, para chorar baixinho uma dor antiga, para chorar horas uma perda. Já é noite, e ela contabiliza mais de 9 horas na frente do computador. Fecha janelas virtuais, enquanto a empregada fecha as janelas reais. A empregada vai embora e lhe deseja um bom Natal. Ela vai na cozinha e abre a geladeira para pegar uma fruta, mas desiste. Vai brindar o fim do dia com vodka. Vai colocar uma música e dançar como se estivesse feliz. Vai ensaiar caras e bocas na frente do espelho para quando encontra-lo novamente. Louca, louca, louca. Ela não vai ligar, nem ele e quem sabe mais ninguém. A Loucura senta na sala e lhe faz companhia. A Loucura tem glamour, é inteligente e agradável. Ela gosta de ser sua anfitriã. O cigarro acabou e o ano também.
Ane Lima

Manhãs Amenas e Azáfama

Manhãs Amenas
Viam-se diariamente, todas as manhãs, mas jamais haviam conversado. É verdade que ele já ensaiara acanhados cumprimentos, mas a possibilidade de não ser correspondido fazia com que seu "bom dia" não passasse de um gemido monossilábico incompreensível. Mesmo assim, a simples presença dela naquele coletivo lotado ao qual se submetia diariamente já amenizava as agruras de se dia, que estava mal começando. Seu perfume floral, sutil e provocante ao mesmo tempo, inspirava-o a pegar àquela mesma condução no dia seguinte, sem se importar com as quase duas horas de trânsito que enfrentava fazendo aquele itinerário. Mas por quê trocaria o ônibus moroso e lotado pelo ligeiro metrô, se lá nunca haveria de ter visão matutina como aquela? Se lá, o olhar delicado daquela menina de cabelos longos com aparência frágil nunca mais seria seu, mesmo que por uma fração de segundo? Para ele, uma hora a mais de sono ou uma hora a menos em pé cambaleando no ônibus, nada valia privar-se de sua companhia silenciosa. Apenas observá-la, para ele, bastava.
Azáfama
Pouco se conheciam quando o primeiro beijo, precoce e apressado, aconteceu em meio ao som estridente e o empurra-empurra da festa lotada. Não sabiam um do outro mais do que nome, idade e outras pequenas informações banais e superficiais que surgiram naquele que acabara de ser o primeiro diálogo dos dois. Mesmo nitidamente menos interessada que ele, ela cedeu a encantadora insistência daquele desconhecido em conseguir o desajeitado e desejado ósculo. Não foi preciso mais do que vinte minutos após o primeiro olhar para que os lábios dos dois se encontrassem de maneira torpe, sem pudor, sem censura. Param, se olham, trocam duas ou três palavras e retomam a incessante busca pela boca, língua, pescoço, nuca um do outro...quando cessam novamente se dão conta de que à sua volta restam apenas poucos, porém animados, freqüentadores da boate, que pouco a pouco vão se tornando cada vez mais escassos. A despedida se limita a um discreto selinho e hesitante troca de telefones, ambos temendo que o fascínio instantâneo que acometeu os dois pudesse ser quebrado em um possível segundo encontro.
Carol Pereira

INTERVENÇÃO

Virgínia Maria saiu do centro empresarial onde trabalha e enxugou algumas lágrimas que escorriam em silêncio por seu rosto. Já não conseguia mais lembrar o que significava o amor do seu Yorkshire, do seu irmão, do seu sobrinho que morava na Austrália, da sua mãe, da sua vizinha de praia que encontrava somente uma vez por ano, das flores, dos romances cinematográficos, nada... Ela só conseguia pensar no amor de Paulo. Ou na falta dele, por assim dizer. As lágrimas embaçavam sua visão e ela discretamente mexia nos óculos para continuar trilhando os pensamentos infindáveis de sua cabeça e para escutar o toque constante do seu salto no chão. Ao descer o 2º degrau de uma moderna escadaria que recepcionava os freqüentadores e visitantes daquele prédio, Virgínia Maria se depara com uma grande intervenção urbana projetada no grandioso prédio da frente, um centro cultural. Ela pára. Seus pensamentos cessam por alguns segundos. Seus olhos se limpam. Ela totalmente paralisada e hipnotizada aprecia o trabalho daqueles homens pendurados num andaime, colocando a última peça do "quebra-cabeça". Ela levanta os óculos e sem pudor ou vergonha nenhuma de ser vista enxuga suas lágrimas e então lê:
AMAR
TOCAR ARREPIAR
ROÇAR AR GOSTAR RESPEITAR
ORAR AR ESCUTAR INSPIRAR APOIAR
SUAR ENFATIZAR AMAR ARDER UMIDECER
ESFALECER ENLOUQUECER AMANHECER
ERGUER
ESQUECER EMUDECER AMANHECER
ENTORPECER
ENVAIDECER ESTREMECER ANOITECER ARDER
RIR IR
VIR FLUIR CUMPRIR SUPRIR SUCUMBIR
IMPRIMIR
FLUIR SORRIR GRUNHIR CUMPRIR INFRINGIR
SUAVIZAR AR ACORDAR LUAR VOAR
AR CHORAR OLHAR
APAIXONAR SUSPIRAR
SOLUÇAR
Essas palavras invadem o seu ser. Virgínia se sentiu sufocada, libertada, incomodada, aliviada, estimulada. Ela respira fundo. Coloca os óculos. Seu telefone vibra no bolso da sua jaqueta. Era Paulo... Ela respirou fundo. Uma lágrima escorre. Como que num suspiro Virgínia Maria recusa a ligação e desce a escada cabisbaixa, pensativa, intrigada com o significado do verbo AMAR e os muitos outros verbos que agregam sentido e razão à ele. Ela se distanciou... E o quebra-cabeça, ali tão estático, desempenhou seu papel: interveio! E a fez pensar
Vivi Cardoso – 09.02.2007

Sábado, Janeiro 27, 2007

Lançando o tema: Amor

Desafio: Amor
Desafiante: Carolina Pereira

Bom, o próximo tema está por minha conta e depois de muito pensar optei por um assunto que, apesar de parecer um pouco piegas à primeira vista, com certeza dará muito pano pra manga! Vou deixar apenas esse poema do Drummond pra inspirar todo mundo.
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AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar.
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


Tema da semana: AMOR
Data de Lançamento: 26/jan/07
Data final da entrega: 09/fev/07
Avaliação dos trabalhos: até 16/fev/07

Primos-Irmão

É impossível falar no Destino sem falar no Livre Arbítrio. Eles são primos-irmão e andam sempre juntos. O livre arbítrio de nossas escolhas nos leva ao destino de nossas vidas. As pequenas escolhas do dia-a-dia traçam o nosso futuro. E ainda, as escolhas que fizemos hoje podem demorar muito para transformarem-se em destino. Sim, porque o Tempo precisa de tempo para "sacar" qual é a nossa, para entender qual é o nosso caminho, para construir o nosso futuro. Não pense que qualquer atitude será em vão, que qualquer pensamento será esquecido, q qualquer maledicência será apagada. O Tempo é paciente, observador, meticuloso e administra com destreza inúmeras técnicas de memorização. O Destino leva a culpa por muitos acontecimentos, outras vezes leva o mérito, mas no fundo, no fundo mortais não sabem que somos donos dos nossos destinos. E como devem rir os deuses no Olimpo...
Tempo: - Vcs viram? Se eu agilizo tudo é porque eu sou rápido demais...
Livre Arbítrio: - ... se vais devagar, a ansiedade os consome... (risos)
Destino: - Vamos tirar férias deles! (risos)
Tempo: - Má idéia! (risos) Imaginem quando voltarmos?
Livre Arbítrio: (risos) – Estarão vivendo todos de passado...
Tempo: (gargalhadas) e o Destino vai ser o culpado de tudo! (gargalhadas) Sim, porque há de haver um culpado, um outro alguém a quem apontar o dedo.
Destino: (risos) – nada de férias! (risos) Quer melhor terapia do que esta? Do que ficar observando algumas trapalhadas?
Livre Arbítrio: (gargalhadas) – Não, não há!
Tanta racionalidade e pouca clareza em entender como os caminhos se cruzam, como as pessoas se vão ou ficam, como as tempestades se armam, como as doenças nos fazem padecer, como as mágoas se enraízam.
E vocês não concordam? Se tudo na vida fosse razão, não teria graça! E a emoção? Para isto: Elemento Surpresa e Coincidência!!!! Sim, tão sábios quanto o Tempo, mas menos pacientes; tão importantes quanto o Livre Arbítrio, mas menos livres; tão surpreendentes quanto o Destino, mas menos previsíveis. Eles são as peças que os deuses nos pregam, os testes, as provocações e acreditem: são primos-irmão do Destino também. Nosso destino também depende de como sentimos e reagimos diante das surpresas da vida. E quando tão despercebidos e sossegados, estamos entre amigos na casa de alguém e aquele ex-namorado (a), que tanto nos magoou, que tanto evitamos, entra porta à dentro como que por coincidência? O livre arbítrio de nossas emoções, que geram reações, podem mudar o futuro da história escrita pelo casal citado acima. E quando um grande problema pode começar a ser resolvido por uma coincidência do destino? E quando aquele trabalho tão almejado "bate" às nossas portas como que de surpresa? E no Olimpo seguem as discussões...
Coincidência: - Não! Eles devem ter a liberdade de querer se verem ou não.
Elemento Surpresa: - Mas eles querem, tah na cara! Tah estampado na cara deles...
Tempo: - Em relação à isso eu também tenho que concordar. Eles só não tiveram coragem ainda...
Coincidência e Elemento Surpresa: - Por favor, por favor, deixem a gente se divertir um pouquinho...
Livre Arbítrio: - Eu ainda sou da opinião que eles ainda não estão prontos. Não achas, Tempo?
Tempo: - Dessa vez vou ter que discordar. Eles já traçaram seus destinos, já fizeram suas escolhas, com minha ajuda é claro, mas já fizeram. O que os paralisa é o velho MEDO. uuuuuuuuuuuuuuuuuuuhhhh
Destino: - Estamos em 3 contra 2. Vocês venceram!!! Arregassem suas mangas e façam eles se encontrarem logo, duma vez.
Coincidência e Elemento Surpresa: - Oba!!!! Logo voltaremos com boas novas...
E se foram às pressas...
... Alguns dias depois, Marta estava quase chegando na estação do metrô, indo para casa, quando se deu por conta que havia esquecido a sombrinha no consultório médico. Ela dá meia volta e volta ao consultório. Inusitadamente, Giuvan está dando mais uma volta na quadra para poder estacionar o carro. Era o aniversário do seu chefe e Giuvan parecia estar meio estressado ou pelo trânsito ou por um dia exaustivo de trabalho, porque estava dando voltas na quadra, brigando no trânsito, buzinando, ele não parecia nada calmo. Após alguns momentos de raiva e fúria, ele decide simplesmente entregar seu carro ao manobrista do bar... (ufa!). Quando ele sai do carro, todo preocupado com a hora, se já não estaria atrasado ou não, ele esbarra com Marta, que mesmo com a sombrinha na mão, se assusta.
Marta: (assustada) – Opa, perdão...
Giuvan: - Quanto tempo! Não, não foi nada.
Marta: - Nossa! Ahm.. Tudo bem?
Giuvan: (gaguejando) – Sim, tudo. Ahm.. E contigo? As pinturas? O Pedrinho?
... Missão cumprida! Daqui por diante seria tudo com eles outra vez... E assim as histórias vão traçando seus rumos, os pensamentos vão tornando-se realidade, as vidas vão se entrelaçando, se desencontrando, se aninhando. E os deuses no Olimpo vão se divertindo, com toda a responsabilidade do mundo, mas um pouquinho de diversão não faz mal a ninguém.
Sabendo agora que somos responsáveis pelo rumo o qual o rio toma, devemos agir e pensar de forma mais esperta. Temos que nos manter alertas ao fato de que tudo gera conseqüências, tudo! Nossos atos, nossas idéias, nossas palavras, nossos sentimentos e até mesmo nossa inércia de não querer decidir nada. É muito importante vivermos o momento, o agora, mas não esqueça de que o amanhã não é invenção, ele existe e este é o resultado de nossos momentos vividos. Respeite as pessoas, seja sincero consigo mesmo e aos seus sentimentos, tenha paciência, cultive a sabedoria, a liberdade de escolha, tente aprender algumas técnicas de memorização e salpique alegria e diversão à essa "fórmula" e tenha certeza de que o Destino se encarregará de conspirar a seu favor.
Destino: - Assim fica mais fácil conhecer a tão almejada felicidade.
Coincidência: - Soa tão simples, neh?
Tempo: - Soa, mas não é. Requer dedicação, perseverança e honestidade.
Destino: - Não é fácil, mas também não é tão difícil assim, não! Humildade, integridade e muito amor...
Quem escolhe só se divertir e rir, o Livre Arbítrio fica de mãos atadas e em meio tantas coincidências e surpresas, o Tempo age e o Destino força uma maior seriedade e responsabilidade em relação à vida. Construa sua satisfação, sua sabedoria, sua paz de espírito e coloque sentimento verdadeiro em tudo o que faz.
... Enquanto isso no Olimpo...
Vivi

Ana Maria e o Destino

Desde muito pequena Ana Maria ouvia falar em destino. Sua mãe costumava levá-la para passear de carrinho durante as tardes ensolaradas da primavera. Tia Claudete, amiga inseparável de sua mãe, estava presente em todos os passeios. Logo a pequena menina acostumou a desfrutar de seu passeio ao som de fofocas, intrigas e difamações. Precocemente ela aprendeu a desconectar-se do ambiente quando a conversa não era do seu agrado.

Ana Maria tinha os olhos atentos e todos os sentidos apurados aos possíveis, e inimagináveis, estímulos que aqueles passeios poderiam lhe proporcionar. Gostava de observar as pessoas que andavam no parque e imaginar para onde elas estavam indo. Esbaldava-se com o colorido das flores e adorava sentir aquele perfume de jardim. Via crianças de todos os tamanhos correndo de um lado para o outro, velhos que alimentavam os pombos, cachorros brincando com seus donos. Tentava entender o mundo a sua volta e o papel que cada um desempenhava. Até então, o que mais lhe intrigava era o porquê dos pombos balançarem a cabeça pra trás ao andar.
Será que eles não sentem dor no pescoço?

Suas inúmeras descobertas eram acompanhadas por conversas do tipo:
- Você soube o que houve com a Diamantina?
- Não... me conta!!
- Flagrou o marido com o padeiro... dizem que foi o maior vexame!
- Sério? Coitada da Diamantina!
- Pelo visto o destino dela é ser enganada, a pobre! Desde o colegial ela pega os namorados com outra...
- Nesse caso foi com outro!
- O pior você não sabe! Ela encontrou um baguete de pão cheio de laços de fita escondido na garagem.
- Não brinca!!
- Há quem diga que dentro do baguete tinham dois anéis com os nomes deles gravados.
- E o que foi que ela fez?
- Ela anunciou, com toda a calma e serenidade do mundo, que a partir de agora só vai comprar pão na padaria da rua de baixo. Isso depois de ter expulsado o padeiro da casa dela a baguetadas!

A conversa seguia enquanto Ana Maria tentava entender por que o destino da pobre Diamantina era ser enganada. Afinal, o que é destino? Qual é a sua influência? Por que o dela é ruim? Foi o destino que gravou o nome deles no anel?

No dia seguinte a cena se repete.
Ana Maria observava uma linda borboleta, que voava ao seu redor, quando teve seu momento de ternura interrompido por mais um plantão 24hs:

- Lembra da Gertrudes?
- Aquela que perdeu tudo no jogo do bicho?
- Essa mesma! Acredita que agora ela abriu uma empresa que fabrica apontador de lápis e tá riquíssima?
- Não acredito! Tem gente que tem uma sorte... impressionante!
- É! Quem diria que ela ia enriquecer depois de sair da cadeia?!
- Pois-é! Nós aqui nos matamos trabalhando e sempre na mesma. Só pode ser destino...


De novo a palavra destino chegava aos ouvidos de Ana Maria sem que ela soubesse o seu real significado. Será que o destino é bom só pra quem tem sorte? Por que uns tem sorte e outros não, como a pobre Diamantina que era sempre enganada?

Inocente, Ana Maria mal sabia falar e já sentia o peso do mundo nas suas costas. Tantas dúvidas se multiplicavam à medida que ela desbravava aquele mundo de gigantes. Embora estivesse recém aprendendo a se expressar, ela compreendia o que as pessoas lhe diziam. Contudo, o significado da palavra destino parecia tão complexo quanto aprender a andar.

Dizem que Ana Maria cresceu sem entender o significado da palavra, que sempre lhe pareceu tão amplo e, ao mesmo tempo, pouco específico na prática. Houve um tempo em que ela pensou que destino era tudo aquilo que é revelado através de premonições. Até o dia que foi viajar e viu escrito “destino” na sua passagem, ao lado do nome da cidade a qual se dirigia. Sabe-se que a partir desse dia ela largou de mão as suas indagações e não quis mais saber de nada a respeito! Passou a interessar-se por Ciências Exatas e aos vinte e dois anos de idade casou-se com Destino Abraão de Souza, cujo os pais eram ateus. Tiveram três filhas: Claudete, Diamantina e Gertrudes.

Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

Destino


Difícil entender a razão
do que acontece dia-a-dia.
Complicado achar a explicação
para as controvérsias da vida.

Impossível usar a razão
para entender quedas e feridas.
Improvável conter a tensão
diante de inevitáveis despedidas.

Divindade cega e inexorável
que paira onipotente sobre os indivíduos.
Invisível, não palpável,
seu nome: destino

Submeter-se a ele seria aceitável?
Ou fugir, tal qual Édipo fez?
Mas o destino é intrépido, intragável.
E nem o herói grego o desfez!
Carol Pereira

Destino


Um grupo de executivos planejam uma grande jogada de marketing, envolvendo bilhares de dólares num produto revolucionário chamado Destino. Contratam Angelina Jolie para a garota-propaganda. Definem que a embalagem do Destino será da cor púrpura. Strokes vai compor o jingle. O produto será lançado em todas as capitais mundiais simultaneamente. Os releases publicitários já foram enviados para todas as agências de comunicação, principais jornais e o site Destino.Com já é o mais acessado dos últimos tempos. Viral Marketing. Amostras grátis do produto estão sendo distribuídas nas principais avenidas de Nova Iorque, Paris, Londres, Tóquio e São Paulo. Investidores enlouquecidos. Filas se formam desde cedo nas lojas de departamentos dos quatro cantos do planeta, dias antes do produto chegar às prateleiras. Todos querem Destino. Destino é tudo o que você precisa. Adquira já o seu Destino. Destino, tudo o que você quer ter. Destino vai mudar a sua vida. Todos querem Destino.
Deu até no NY Times: Destino vai dominar o mundo.

O estelionatário observa atentamente a inscrição tatuada no braço do seu companheiro de cela. Aquele braço forte e negro, ostenta em letras bem rebuscadas e marcadas de preto a inscrição Destino. O dono da arte no corpo é Tição, maior e mais temido traficante do Rio de Janeiro. Muito antes de adquirir extensa ficha criminal, Tição, um então mirrado adolescente de 14 anos de idade, avião do tráfico, filho de pai sumido e mãe alcoólatra ordenou ao tatuador: “ Tatua aí: Destino. Isso é a única coisa que eu tenho na vida.”

O pai apeou do cavalo em frente ao cartório. Pensou em fechar um palheirinho antes de entrar, mas percebeu que estava sem palha. Ansioso, angustiado, agitado, foi apalpando os bolsos da calça puída e da camisa empapada de suor, simultaneamente até encontrar um pedacinho de papel. Com a letra bem desenhada da cumadre estava escrito o nome do filho recém nascido. Emanuel da Silva. Ele não sabia ler, mas foi esse nome que ela disse que estava escrito. Não tinha erro, era só entregar o papel para o moço do cartório e estava registrado o filho. Depois de pensar um pouco, o matuto enrola o fumo no papelzinho da cumadre e traga seu palheiro com satisfação. Depois disso entrou no estabelecimento, toda pimpão e orgulhoso. “Vim registrar meu filho”. Foi quando lembrou das palavras da parteira ao pôs seu menino no mundo: “Que essa criança tenha um lindo destino”...
“Qual o nome da criança?”-perguntou o escrivão.
“Meu menino se chama Destino da Silva, sim sinhô.”
Ane

trilha sonora da criação: Nina Simone


Ana

...Pupila dilatada, boca pastosa e uma grande confusão mental que acimenta o raciocínio. O lento e doloroso ato de levantar a cabeça para conferir as horas, pinta o retrato caótico do momento. A necessidade etílica, novamente trocou os caminhos que deveriam ser percorridos de maneira serena. Mas é o destino, pensou, o destino.
Destino esse, que é Cruel!!! Muito cruel!!! bradou levantando um dos braços, enquanto o corpo continuava enterrado sobre o lençol branco encardido.
O corpo reage, tenta se despreender daquele "braço deOrfeu". É preciso reagir, pensou. Os ossos estalam, a coluna lembra uma velha dobradiça que precisa de óleo para não ranger. O corpo fica ereto, passos são dados rumo a sobriedade. A cada passo, o cérebro tentava organizar as idéias, processar as informações, enfim pensar, mas era difícil, tudo estava de trás prá frente.
Noite quente, hálito doce, céu estrelado, olhos verdes invadem um território individual invisível. Duas bocas se entendem sem dizer nada. Não podem e não querem dizer. A garrafa vazia, conta uma história que está sendo escrita sem palavras. Os beijos viram mordidas, ganham sons, passeiam pelos corpos, brincam de sentir. Os pêlos se arrepiam, o céu desce as escadas do mundo e banha os dois corpos com a satisfação. Em um lado da cama, ela descansa, pensa, do outro, ele tenta ressonar, ela faz uma confissão.
Sou tua...
Ela não deveria ter dito isso!
Vinho, música e poesia! O sol se põe na varanda do apartamento. O cenário começa a mudar a medida que os copos esvaziam, tudo fica mais bonito, parece mágico! Os dois prometem não falar de si, nem da vida real. Ela é linda, simpática, espirituosa, apaixonante. Os 0olhares trocam informações silenciosas sobre o que vai acontecer à noite. Os dois sabem muito bem.
Um beijo seco no rosto e uma palavra afetuosa despertam a mente anestesiada pelo álcool. Movimentos rápidos na sua frente, alguém está se vestindo! Ela olha o relógio.
Droga! Estou atrasada.
Ele tenta continuar dormindo, mas o barulho incomoda. Ela fez questão de acordá-lo. Ela se veste, está pronta, vai ao banheiro, volta mais pronta ainda, senta na beirada da cama e dá mais um beijo no rosto dele. Os olhos dele não querem abrir! Os dois se despedem.Ele ouve a porta batendo e tenta entender o que está acontecendo... lembra que teve uma noite maravilhosa !Mas num sobressalto, olha para o porta-retratos e começa a chorar!!!!!
Ana, sempre a Ana!
Ele vira de lado, encosta o rosto entre as mãos e fecha os olhos... tenta voltar a dormir, mas não consegue, abre os olhos e fica fitando o teto, sabia que tudo era culpa do destino. Afinal o destino nunca permitiu que a sua vida fosse interessante, emocionante. Um emprego normal, um casamento normal e uma droga de vida normal, pensava ele. Se perguntava, por que nunca fora um aventureiro? Ou um daqueles espiões que via nos filmes quando era criança?
Os filmes sempre mostravam agentes secretos com armas, super carros e muito dinheiro a mão . E o melhor, sempre estavam cercados por belas mulheres.Por isso queria se dar de presente essa ilusão, pelo menos uma vez na vida, queria fazer da sua mulher, várias outras ao mesmo tempo. Mas ao acordar lembrou que o destino fora cruel, ele vivia uma vida normal e a culpa era do destino... voltando para o mundo real começou a sentir os efeito da ressaca...
...Pupila dilatada, boca pastosa e uma grande confusão mental que acimenta o raciocínio. O lento e doloroso ato de levantar a cabeça para conferir as horas, pinta o retrato caótico do momento. A necessidade etílica,novamente trocou os caminhos que deveriam ser percorridos de maneira serena...
Cassio Peres

Domingo, Janeiro 21, 2007

Lançando o tema: Destino



Desafio: Destino
Desafiante: Ane



Iniciando os trabalhos do grupo. Podem achar o tema meio filosófico e tal, mas creio que vão sair grandes idéias. Lembrando que vale conto, poesia, teatro, o que der na telha.
Bem, para ilustrar o tema estou enviando o link de um curta que adorei e que me inspirou: "Estrada" é do Jorge Furtado.
http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=1838&Exib=2575
ou
http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1838

Tema da semana: DESTINO
Data de lançamento: 12/jan/07
Data final da entrega: 26/jan/07 (nessa data será lançado o próximo tema)
Avaliação dos trabalhos: até 2/fev/07


Boa criação

Ane

MODO DE USAR


O Grupo Literário é feito p/ os escritores que estavam esperando uma chance de mostrar seus inéditos e palpitar na produção contemporânea.
O espaço propõe desafios literários, jogos intelectuais e estimulo à criatividade. Fora isso se forma e fortalece um vínculo de amizade entre pessoas com as mesmas afinidades, taras, gostos e obsessões. Na data pré-estabelecida um dos participantes lança um tema para os demais integrantes desenvolverem. Pode ser uma frase, trecho de um livro, uma música, um filme, uma gravura, uma foto, uma notícia de jornal. Tudo é material criativo! Tudo é inspiração! Logo, é hora de colocar tudo no papel (ou melhor, nos bites). O participante tem até a duas semanas p/ enviar o seu material, que pode ser um conto, prosa, dissertação, poesia, roteiro, enfim, o que a criatividade mandar. Logo os participantes analisam o material dos outros e mandam seus palpites. E assim, sucessivamente e rotativamente cada vez um participante do grupo manda o seu tema. Logo todos ficam envolvidos com os atos de de escrever e de analisar o material dos outros. E assim formamos um ciclo criativo, que nos estimula além da troca de idéias, o estímulo ao desenvolvimento do dom de fazer arte com a palavra.